segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Canaletas e pedestres - qual é o futuro?

Canaletas em crise existencial
Curitiba é famosa no mundo inteiro por efeito de projetos inteligentes, outros nem tanto, mas significativos para quem habita a capital das araucárias (restantes). Entre muitas qualidades inegáveis a cidade foi uma das pioneiras na implantação de um sistema de transporte coletivo com ônibus em canaletas, devidamente municiados com passageiros via linhas alimentadoras. Gradativamente esse padrão de transporte coletivo evoluiu, ganhando novos recursos, ônibus melhores (evoluem sempre) e linhas diferenciadas (ligeirinhos, interbairros, ônibus articulados e biarticulados, bilhetagem, onda verde, telessupervisão etc.).
As variações políticas e econômicas, contudo, criaram períodos bons e ruins.
Talvez o pior tenha sido o açodamento em querer mudar radicalmente; assim apareceram e foram anunciados para implantação rápida bondes modernos, trólebus, VLTs, monotrilho, superônibus e, finalmente, o metrô. Nada aconteceu exceto mídia e custos de estudos e anteprojetos. É importante registrar, contudo, que um projeto que foi abandonado e teria sido imensamente útil: o monotrilho num circuito que agora exige trincheiras, viadutos, oferece ruas sobrecarregadas e expõe perigosamente transeuntes a atropelamentos. Tudo teria sido minimizado se um sistema elevado sobre trilhos ou não fizesse a complementação viária que precisamos tanto. Mais ainda, a Avenida das Torres e outras mereceriam soluções equivalentes, protelando o mais caro, o metrô subterrâneo.
O que isso significou num período em que os ônibus evoluíram sem parar, podendo ser muito melhores desde que se criasse um padrão de subsídio como já o tivemos na formação da frota pública, lamentavelmente abandonada em poucos anos, foi a ilusão de mudanças e a confirmação do potencial dos veículos usados aqui, os ônibus simplesmente.
O desafio, contudo, teve momentos de glória em opções interessantes.
A integração com a RMC veio afetando positivamente a vida dos moradores da Região Metropolitana de Curitiba e está mudando...
Uma pergunta válida, considerando décadas de existência que afetaram o desenvolvimento de muitas cidades e seus serviços essenciais, a vida de centenas de milhares de pessoas e empresas, é se esse povo procurará na Justiça compensações para as mudanças em curso, algo que não se falava há poucos anos. Merecem indenizações.
E as canaletas?
Essas estão em crise existencial e com tratamentos discriminatórios. Manutenção não dá voto, assim a cidade vai ampliando seu sistema viário com canaletas e tratando mal as mais antigas. De tempos em tempos vemos recapeamentos asfálticos onde deveria existir concreto ou pelo menos maior qualidade de serviços.
Recentemente, usando a linha Interbairros II, ficamos imaginando quanto os ônibus poderão aguentar trafegando em pisos com falhas graves, pelo menos para os passageiros (vão ainda quebrar o pescoço?).
Vi recentemente um artigo técnico de um amigo falando mal de nossas “elites” que não usam o transporte coletivo, creio que ele não usou o sistema fora de horário de ponta, idosos e idosas de qualquer padrão estão mais e mais “andando” de ônibus. Não mais? O drama é a qualidade das calçadas, a segurança dos pedestres, a acessibilidade aos ônibus convencionais e hábitos de alguns motoristas, além de veículos eventualmente ruins mesmo ou sobrecarregados.
As calçadas são um caso de polícia.
Calçadas, canaletas, vias expressas e laterais precisam atualizarem-se. O adensamento espetacular da população e serviços, empresas etc. exige lógicas revolucionárias, mais ainda quando se fala tanto em CO2 (aliás, as geleiras sempre derreteram e não sobem montanhas...).
Veículos de duas ou três rodas motorizados ou não estão infernizando a vida dos pedestres e motoristas. Sistemas de policiamento à distância podem muito quando identificam quem transgride normas de segurança, e as bicicletas?
Nascemos em tempos em que as bicicletas tinham plaquinha, hoje poderiam ser chipadas, controladas de outra maneira. É assustador ver até famílias inteiras circulando de bicicleta pelas canaletas. Atravessar as ruas por onde circulam esses pilotos é uma aventura. Algo precisa ser feito para aumentar a segurança de pedestres, ciclistas e até de passageiros de ônibus nas canaletas. Gigantes (ônibus), se por qualquer motivo perderem o controle poderão matar muita gente. Vamos esperar um acidente e depois a síndrome Boate Kiss, quando foram à caça de bruxas numa cidade universitária, portanto capaz de saber onde e o quê existia de errado para corrigir comportamentos e estratégias de mobilidade urbana?
Mais uma vez estamos em crise econômica; a correção de muitos equívocos é possível sem os custos monumentais de linhas de metrô.
Em tempo, qual será o futuro das canaletas? Como serão mantidas até mudarem de personalidade?

Cascaes
06.8.2015







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